Account takeover (ATO) é um tipo de fraude digital no qual criminosos obtêm acesso não autorizado a uma conta legítima e assumem controle total sobre ela, explorando credenciais reais de usuários reais para realizar transações, alterar dados cadastrais e desviar recursos sem levantar suspeitas imediatas.
Essa prática se tornou uma das ameaças mais sofisticadas e lucrativas do ecossistema financeiro digital contemporâneo.
Apenas no primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou quase 7 milhões de tentativas de fraude, segundo a Serasa Experian, um crescimento de 29,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Mais da metade dessas ocorrências teve como alvo bancos e emissores de cartões, evidenciando que ataques como o account takeover se consolidaram como uma das principais ameaças ao sistema financeiro digital.
Esses números evidenciam uma realidade que muitas instituições financeiras ainda subestimam: o ATO não é um evento pontual de segurança, mas um vetor recorrente de fraude estruturada, com impacto direto sobre resultados financeiros e confiança do cliente.
Mais do que uma simples invasão de conta, o account takeover envolve um processo sistemático de tomada de controle.
Uma vez autenticado, o fraudador pode alterar informações de contato, redefinir credenciais, cadastrar novos favorecidos, ajustar limites transacionais e até bloquear o acesso do verdadeiro titular, caracterizando um sequestro digital completo. Esse nível de controle torna a reversão do dano complexa e, em muitos casos, tardia.
Para gestores de risco, CTOs e profissionais de compliance em instituições financeiras brasileiras, compreender o funcionamento e a evolução do account takeover deixou de ser opcional. No contexto regulatório nacional, marcado pela LGPD e pelas diretrizes de segurança cibernética do Banco Central, a responsabilidade das instituições vai além da resposta reativa a incidentes, exigindo prevenção ativa, monitoramento contínuo e governança de identidade robusta.
A sofisticação desses ataques tem avançado rapidamente. Dados da Feedzai indicam que as perdas globais associadas ao account takeover já ultrapassam 15,6 bilhões de dólares por ano.
No Brasil, a combinação de PIX, Open Finance e digitalização acelerada ampliou significativamente a superfície de ataque, tornando contas bancárias alvos prioritários para fraudadores especializados.
O que torna o account takeover particularmente perigoso é sua natureza silenciosa e progressiva. Em muitos casos, os criminosos passam semanas ou meses observando o comportamento da vítima, aprendendo padrões de acesso, hábitos transacionais e contextos de uso antes de executar ações fraudulentas de maior impacto, reduzindo drasticamente as chances de detecção precoce.
Este guia apresenta uma visão aprofundada sobre o account takeover, explorando seus mecanismos, vetores de ataque mais comuns, impactos regulatórios e estratégias práticas — tecnológicas e organizacionais — para que instituições financeiras fortaleçam suas defesas e reduzam significativamente a exposição a esse tipo de fraude.
Um ataque de account takeover funciona quando um fraudador obtém credenciais legítimas de um usuário real, acessa a conta sem autorização e assume gradualmente o controle total, explorando o ambiente antes de executar fraudes financeiras de forma silenciosa e difícil de detectar.
Na prática, o account takeover não acontece de forma imediata ou impulsiva. Ele segue um processo estruturado em etapas, no qual o atacante prioriza passar despercebido, compreender o comportamento da vítima e agir apenas quando o risco de bloqueio é mínimo.
Esse método explica por que muitos ataques permanecem ativos por semanas antes de serem identificados.
A primeira etapa consiste na coleta de credenciais válidas. Fraudadores utilizam múltiplos vetores simultaneamente, como vazamentos de bases de dados, campanhas de phishing altamente segmentadas, instalação de malware em dispositivos ou aquisição de dados no mercado clandestino.
Diferentemente de ataques oportunistas, o account takeover envolve a construção progressiva de perfis completos, combinando e-mails, senhas, CPF, comportamento digital e histórico financeiro. Esse estágio pode se estender por meses, aumentando a taxa de sucesso do ataque.
Com as credenciais em mãos, os atacantes iniciam a validação. Ferramentas automatizadas testam combinações de login e senha em múltiplas plataformas, explorando a reutilização de credenciais entre serviços.
Esse processo ocorre de forma distribuída, usando diferentes IPs e dispositivos, justamente para evitar mecanismos de bloqueio baseados em tentativas consecutivas ou padrões simples de automação.
Após validar as credenciais, o fraudador acessa a conta comprometida. Nessa fase, técnicas de evasão são essenciais: uso de VPNs, proxies residenciais, spoofing de dispositivos e simulação de navegadores legítimos ajudam a reproduzir o comportamento esperado do usuário real.
O objetivo não é agir rapidamente, mas se misturar ao tráfego legítimo, evitando alertas de geolocalização, fingerprinting ou detecção comportamental básica.
Essa é uma das fases mais críticas e perigosas do account takeover. O fraudador passa a observar silenciosamente a conta, analisando padrões de transação, horários de acesso, limites, beneficiários frequentes e histórico de pagamentos.
Esse período de reconhecimento pode durar semanas. Quanto mais fiel o atacante se torna ao comportamento da vítima, maior é a chance de executar fraudes sem levantar suspeitas, inclusive em sistemas avançados de monitoramento.
Somente após compreender completamente o contexto da conta, o atacante executa a fraude. Isso pode incluir transferências financeiras, alteração de dados cadastrais, criação de novos beneficiários, solicitação de crédito ou bloqueio de canais de contato do cliente legítimo.
As ações são deliberadamente realizadas de forma gradual e dentro de padrões aparentemente normais, o que dificulta a detecção em tempo real e amplia o impacto financeiro e reputacional para a instituição.
Conhecer as táticas empregadas pelos fraudadores é o alicerce fundamental para construir defesas audazes. Frequentemente combinadas em ataques coordenados, essas metodologias exigem uma compreensão detalhada para o desenvolvimento de estratégias de prevenção consistentes.
A detecção precoce de account takeover é decisiva para reduzir perdas financeiras e preservar a confiança do cliente. Instituições mais maduras combinam monitoramento automatizado em tempo real, análise comportamental e validação humana especializada, criando camadas de defesa complementares.
Do ponto de vista do cliente, alguns indícios costumam aparecer rapidamente e não devem ser ignorados:
Esses sinais geralmente aparecem de forma isolada no início do ataque, mas tendem a se acumular à medida que o comprometimento avança.
Sob a ótica institucional, a identificação do account takeover exige correlação de eventos e análise de padrões comportamentais:
Alguns sinais são particularmente críticos e costumam aparecer em ataques mais sofisticados.
A complexidade do account takeover torna inviável a detecção manual isolada. Por isso, mecanismos automatizados de análise de risco em tempo real são indispensáveis para correlacionar milhares de variáveis simultaneamente.
Algoritmos de machine learning conseguem identificar combinações de sinais fracos que, individualmente, pareceriam legítimos, mas que, em conjunto, indicam alto risco de comprometimento. Por exemplo:
alteração de senha + troca de número de telefone + novo beneficiário externo + primeira transferência atípica
Esse encadeamento representa um padrão clássico de account takeover e deve acionar bloqueios preventivos e investigação imediata.
Diante da sofisticação dos ataques, as instituições financeiras precisam adotar uma postura defensiva avançada. A prevenção eficaz de account takeover exige uma abordagem multicamadas que combine tecnologias de ponta e processos bem definidos.
A integração dessas estratégias ao ecossistema de segurança da Topaz, SecureJourney, assegura que sua instituição lidere a transformação digital com a confiança necessária para escalar seus negócios.
A sofisticação crescente dos ataques exige que a prevenção de account takeover evolua de modelos reativos para estratégias contínuas, adaptativas e orientadas por risco. As principais tendências combinam mudanças arquiteturais, novas formas de autenticação e uso avançado de inteligência artificial.
A arquitetura Zero Trust consolida-se como base desse novo modelo. Ao eliminar a confiança implícita por localização ou dispositivo, ela impõe verificação contínua de identidade, contexto e comportamento a cada acesso, limitando drasticamente o impacto de credenciais comprometidas e o movimento lateral de atacantes.
A autenticação sem senha reduz uma das maiores superfícies de ataque da atualidade. Passkeys baseadas em criptografia de chave pública e biometria avançada substituem senhas reutilizáveis, mitigando ataques de phishing e credential stuffing sem prejudicar a experiência do usuário.
A inteligência artificial generativa assume um papel ambíguo. Ao mesmo tempo em que permite ataques mais sofisticados e difíceis de distinguir do comportamento humano legítimo, ela também fortalece a detecção por meio de análise comportamental contínua, correlação de sinais fracos e resposta automatizada em tempo real.
Modelos de identidade descentralizada e blockchain surgem como alternativas promissoras para reduzir pontos únicos de falha, permitindo validação criptográfica de identidade sem a centralização excessiva de dados sensíveis.
No Brasil, a expansão do Banking as a Service (BaaS) e do Open Finance amplia o ecossistema de risco, exigindo padrões coordenados de segurança, integração segura entre plataformas e compartilhamento estruturado de inteligência antifraude entre instituições.
Nesse cenário, regulação mais rigorosa e colaboração entre players deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos. Instituições que combinarem prevenção em tempo real, análise comportamental e conformidade regulatória estarão mais preparadas para enfrentar o account takeover de forma sustentável.
Para enfrentar a sofisticação do account takeover, as instituições financeiras precisam de uma defesa que vá além da reação a incidentes. A família SecureJourney da Topaz é a suíte modular de segurança desenhada para antecipar riscos e bloquear fraudes em tempo real, servindo como o principal escudo para bancos, fintechs e cooperativas.
Veja como as soluções do ecossistema SecureJourney atuam diretamente na prevenção ao ATO:
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Não exatamente. Enquanto o roubo de identidade envolve usar informações pessoais de uma vítima para criar novas contas ou cometer fraudes em seu nome, o Account Takeover (ATO) refere-se especificamente ao acesso não autorizado e controle de uma conta legítima já existente. Em ATO, o fraudador usa as credenciais reais da vítima. O roubo de identidade é mais amplo e pode incluir o ATO como uma de suas táticas.
Fraude de pagamento é um termo abrangente que inclui qualquer uso não autorizado de métodos de pagamento. O Account Takeover é um tipo específico de fraude onde o atacante assume o controle total de uma conta legítima. Em um ATO, o fraudador pode não apenas realizar transações, mas também alterar dados cadastrais, criar novos beneficiários e bloquear o verdadeiro dono da conta, permitindo fraudes mais prolongadas.
Não. Embora o MFA reduza drasticamente o risco (até 99,9% em alguns cenários), não é infalível. Técnicas como SIM swapping e phishing sofisticado podem burlar o MFA. Por isso, recomenda-se uma abordagem multicamadas que combine MFA com biometria comportamental, identificação de dispositivos e monitoramento contínuo.
Varia significativamente. Com monitoramento tradicional, pode levar dias ou semanas. Sistemas com inteligência artificial e análise comportamental podem detectar anomalias em segundos ou minutos. O tempo médio de detecção sem soluções avançadas é de 3 a 7 dias, um período crítico onde os fraudadores causam danos significativos.
Não, quando implementadas corretamente. Essas tecnologias funcionam de forma transparente em segundo plano, analisando padrões naturais sem exigir ação do usuário. Na verdade, elas melhoram a experiência ao reduzir a necessidade de validações frequentes para usuários legítimos, aplicando fricção apenas quando detectam anomalias.
Sim, e cada vez mais. Pequenas e médias empresas são alvos atrativos por geralmente possuírem controles de segurança mais fracos. Além disso, um ATO em uma PME pode servir como porta de entrada para ataques de supply chain contra clientes maiores.
Ação rápida é crucial:
1) Suspenda a conta e bloqueie transações.
2) Force o logout de todas as sessões.
3) Notifique o usuário por um canal alternativo verificado.
4) Altere as credenciais.
5) Reveja e reverta transações fraudulentas.
6) Documente o incidente.
7) Notifique as autoridades competentes (incluindo a ANPD).
8) Conduza uma análise post-mortem para implementar melhorias.
A LGPD impõe a obrigação de implementar medidas técnicas para proteger dados pessoais (Art. 46). Em caso de incidente de segurança com risco relevante, é obrigatório comunicar à ANPD e aos afetados (Art. 48). A lei posiciona a segurança não como opcional, mas como uma responsabilidade legal com penalidades severas.