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Open Banking e Open Finance: qual a diferença? | Topaz

Escrito por Catalina Arango | Jun 24, 2025, 8:52:56 PM

Open Banking é o compartilhamento de dados apenas entre bancos, enquanto Open Finance amplia esse conceito para incluir outras instituições financeiras, como corretoras, seguradoras e empresas de previdência.

Essa distinção é indispensável para compreender a evolução do sistema financeiro, que busca ser mais integrado, transparente e centrado no consumidor. Além de transformar a oferta de serviços financeiros, essas mudanças impulsionam a inovação e a eficiência das instituições. 

Neste artigo, exploraremos em detalhes os conceitos, principais diferenças, benefícios e impactos de cada modelo.

O que é Open Banking e como surgiu no Brasil

Open Banking é o sistema de compartilhamento padronizado de dados e serviços bancários entre instituições financeiras autorizadas, mediante consentimento explícito do cliente.

Isso significa que o usuário pode autorizar que seus dados, como histórico de transações, saldo em conta, informações de crédito e perfil de consumo, sejam compartilhados com outras instituições.

O conceito surgiu no Reino Unido em 2018, por meio da iniciativa da Autoridade de Conduta Financeira (FCA) e da Open Banking Implementation Entity (OBIE). Desde então, se espalhou por países da Europa, América do Norte e América Latina.

No Brasil, o Open Banking foi introduzido oficialmente pelo Banco Central em 2019, com o objetivo de modernizar o sistema financeiro nacional.

O modelo se baseia em APIs abertas (Open APIs) que permitem que bancos, fintechs e instituições de pagamento troquem informações cadastrais, de contas correntes, de cartões de crédito e de operações de crédito de forma segura, interoperável e sob controle do titular dos dados.

O projeto foi estruturado em quatro fases: compartilhamento de dados cadastrais, dados transacionais, serviços de iniciação de pagamento e ampliação para dados de outros produtos financeiros. Essa estrutura serviu como base para a transição ao Open Finance.

Entre os principais objetivos do Open Banking estão:

  • aumentar a competitividade entre instituições bancárias;
  • reduzir custos operacionais e taxas ao consumidor final;
  • melhorar a qualidade e variedade dos serviços ofertados;
  • promover o empoderamento do consumidor sobre seus próprios dados financeiros.

O que é Open Finance?

O Open Finance é a expansão natural do Open Banking, abrangendo todo o ecossistema financeiro. 

Esse modelo propõe um ambiente ainda mais integrado e abrangente, no qual o consumidor pode consolidar informações de diferentes segmentos financeiros em uma única plataforma. 

Com isso, é possível ter uma visão global da vida financeira, o que facilita o controle de gastos, planejamento de investimentos e decisões sobre crédito ou seguros.

A transição para o Open Finance foi oficializada no Brasil em 2021, quando o Banco Central reconheceu que o escopo do Open Banking estava ficando limitado diante das possibilidades tecnológicas e demandas dos consumidores. Desde então, o país se tornou referência global em iniciativas de finanças abertas.

Com o Open Finance, os benefícios são estendidos para além dos bancos, promovendo a inclusão de novas empresas no mercado e estimulando soluções inovadoras, como carteiras digitais mais completas, automatização de investimento personalizados e plataformas de seguros integradas a aplicativos de finanças pessoais.

Qual é a diferença entre Open Finance e Open Banking?

A principal diferença entre Open Banking e Open Finance está no escopo dos dados e produtos compartilhados. Veja o comparativo direto:

 

Critério

Open Banking

Open Finance

Escopo de dados

Contas, cartões e crédito. Dados bancários gerais

Bancário + investimentos, seguros, previdência, câmbio.

Instituições participantes

Bancos e algumas instituições de pagamento. Limitado ao sistema bancário

Bancos, corretoras, seguradoras, gestoras, IPs e SCDs. Em resumo, todo o sistema financeiro.

Iniciação de pagamentos

Em estágio inicial

Integrada, inclusive via Pix

Marco regulatório no Brasil

Resolução Conjunta nº 1/2020

Evolução oficializada pelo BCB em 2021 (Fase 3)

Equivalente internacional

PSD2 (União Europeia)

Não há equivalente direto, o modelo brasileiro é mais amplo

Objetivo central

Acesso a dados bancários com consentimento

Ecossistema financeiro integrado centrado no consumidor

Benefícios

Maior competição entre bancos

Inovação ampla, novos modelos de negócio, serviços integrados

Na prática, todo Open Finance contém o Open Banking, mas nem todo Open Banking, no padrão internacional, chega a ser Open Finance.

O Brasil saltou diretamente para o modelo expandido após concluir as fases iniciais, posicionando-se como uma das implementações regulatórias mais ambiciosas do mundo.

As 4 fases de implementação do Open Finance no Brasil

A transição do Open Banking para o Open Finance no Brasil foi conduzida pelo Banco Central em quatro fases progressivas entre 2021 e 2022, cada uma ampliando o escopo de dados compartilhados e o número de instituições participantes.

Compreender essas fases é essencial para qualquer instituição financeira que precise dimensionar investimentos em APIs, governança de consentimento e arquitetura de integração com o ecossistema regulado.

Fase 1: Compartilhamento de dados públicos (fev/2021)

Iniciada em 1º de fevereiro de 2021, marcou a abertura de informações institucionais, como endereços de agências, canais de atendimento, taxas, tarifas e características de produtos como contas correntes, cartões e operações de crédito.

Ainda sem dados de clientes, esta fase pavimentou a infraestrutura de APIs públicas que sustentaria as etapas seguintes.

Fase 2: Dados cadastrais e transacionais com consentimento (ago/2021)

A partir de agosto de 2021, clientes pessoa física e jurídica passaram a poder autorizar o compartilhamento de dados cadastrais e transacionais entre instituições, incluindo histórico de movimentações em contas, cartões e crédito. Foi a primeira fase com fluxo real de consentimento e redirecionamento entre instituições.

Fase 3: Iniciação de pagamentos e propostas de crédito (out/2021)

Marco do reposicionamento oficial para "Open Finance", esta fase introduziu serviços de iniciação de pagamentos (ITP), permitindo que pagamentos, especialmente Pix, sejam disparados a partir de aplicativos de terceiros, e o encaminhamento de propostas de crédito.

Fase 4: Câmbio, investimentos, seguros e previdência (dez/2021 a 2022)

A fase final, escalonada ao longo de 2022, ampliou o ecossistema para operações de câmbio, investimentos (renda fixa, variável, fundos, tesouro), seguros e previdência complementar, completando o conceito amplo de Open Finance brasileiro.

Vantagens do Open Banking e Open Finance para empresas e o mercado financeiro

As instituições financeiras e empresas que atuam no setor têm inúmeras oportunidades com a implementação desses modelos.

  • Inovação acelerada: o acesso aos dados permite criar soluções mais eficazes e personalizadas para diferentes perfis de clientes, como aplicativos de controle financeiro com base em inteligência artificial;
  • Redução de custos: o uso eficiente dos dados reduz retrabalhos e etapas manuais nos processos internos, como análise de crédito e prevenção à fraude;
  • Maior fidelização de clientes: com serviços mais adequados às necessidades dos usuários, as instituições podem aumentar a retenção e engajamento;
  • Expansão de parcerias: empresas podem formar ecossistemas colaborativos, unindo forças com fintechs e outras startups para oferecer soluções integradas.

Além disso, o Open Finance pode acelerar a digitalização de instituições tradicionais, tornando-as mais competitivas frente aos novos entrantes do mercado.

Benefícios para os consumidores

Para o consumidor final, os benefícios com o Open Finance são significativos.

  • Melhores ofertas: ao compartilhar seus dados com diversas instituições, o cliente recebe propostas mais vantajosas, como crédito com juros menores ou investimentos mais adequados ao seu perfil de risco;
  • Experiência integrada: com o acesso a múltiplos serviços em uma só interface, o usuário ganha agilidade, praticidade e controle de sua vida financeira;
  • Transparência: os dados ficam sob o controle do usuário, que pode revogar consentimentos a qualquer momento;
  • Inclusão financeira: pessoas com histórico limitado ou subatendidos bancos tradicionais podem ser atendidas por novas soluções digitais, acessando crédito, seguros ou contas digitais.

Essas vantagens tornam o consumidor protagonista de suas finanças, com autonomia para tomar decisões embasadas e alinhadas com seus objetivos.

Regulamentações e diretrizes aplicáveis no Brasil

O Banco Central do Brasil é o principal órgão regulador das iniciativas de Open Banking e Open Finance no país. Ele estabeleceu diretrizes para garantir a segurança, padronização e eficiência da troca de dados entre instituições.

Além disso, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é essencial nesse processo, pois estabelece que os dados pessoais só podem ser utilizados mediante consentimento livre, informado e inequívoco. O consumidor deve ter acesso facilitado a informações sobre o uso de seus dados e pode, a qualquer momento, revogar a autorização concedida.

Para operar no ecossistema de Open Finance, as instituições participantes devem, ainda, cumprir requisitos técnicos de segurança cibernética e de governança, além de integrar APIs padronizadas que garantem interoperabilidade e conformidade regulatória.

Impactos do Open Banking e Open Finance no mercado financeiro e na experiência do consumidor

A adoção dessas iniciativas está moldando um novo cenário financeiro.

  • Concorrência saudável: novas empresas passam a competir em pé de igualdade com grandes bancos, estimulando a melhoria contínua dos serviços;
  • Maior eficiência: os processos se tornam mais ágeis e baseados em dados concretos, o que melhora a gestão de riscos e a concessão de crédito;
  • Empoderamento do cliente: o consumidor assume o papel central nas decisões financeiras, podendo migrar com facilidade entre instituições e produtos;
  • Nova dinâmica de consumo financeiro: os serviços deixam de ser generalistas e se tornam personalizados e preditivos, com foco na jornada do cliente.

Diante desse novo cenário, instituições que ainda não se adaptaram ao Open Finance poderão perder competitividade e até correrem o risco de cair em obsolência.

Open Finance, Pix e DREX: como se conectam no novo sistema financeiro brasileiro

O Open Finance não vive isolado. Ele compõe, junto com o Pix e o futuro DREX (Real Digital), o tripé da agenda BC# do Banco Central para modernização do sistema financeiro nacional. Entender essas conexões é decisivo para instituições que planejam roadmaps de produto nos próximos anos.

Open Finance + Pix: iniciação de pagamentos

A partir da Fase 3, o Open Finance habilitou Iniciadores de Transação de Pagamento (ITPs) a disparar Pix em nome do cliente diretamente de aplicativos de terceiros, como varejistas, marketplaces ou carteiras digitais, sem o usuário precisar abrir o app do banco.

Essa convergência reduz fricção no checkout e amplia casos de uso de pagamento conta a conta.

Open Finance + DREX: dados para a moeda digital

O DREX, moeda digital de banco central em desenvolvimento, deve operar sobre uma rede DLT permissionada, e o Open Finance fornecerá a camada de identidade, consentimento e portabilidade de dados que viabilizará serviços programáveis sobre a moeda, como contratos inteligentes para liquidação automática de operações de crédito e investimento.

O que isso significa para bancos e fintechs

Instituições que tratam Open Finance, Pix e DREX como projetos isolados tendem a duplicar esforços de integração e governança. A abordagem recomendada é arquitetural: uma camada única de APIs, autenticação e consentimento que sirva aos três trilhos regulatórios, reduzindo time-to-market e custo de compliance.

Como a Topaz apoia instituições na jornada do Open Finance?

A Topaz oferece uma arquitetura modular baseada em nuvem para instituições que desejam se integrar ao ecossistema de Open Finance.

Entre as principais soluções, destacam-se:

  • plataformas para integração via APIs padronizadas, facilitando a comunicação entre instituições;
  • ferramentas de consentimento e gestão de dados, com interface amigável para o consumidor final;
  • camadas de segurança e criptografia avançada, em conformidade com as exigências do Banco Central e da LGPD;
  • consultoria especializada, com suporte regulatório e tecnológico para adaptação às normas e à transformação digital.

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Perguntas frequentes sobre Open Banking e Open Finance

Qual é a principal diferença entre Open Banking e Open Finance?

Open Banking limita-se ao compartilhamento de dados bancários (contas, cartões e crédito), enquanto Open Finance amplia esse escopo para investimentos, seguros, previdência, câmbio e serviços de pagamento. No Brasil, o termo Open Finance foi adotado oficialmente em 2021 para refletir essa abrangência maior, que vai além do padrão europeu PSD2.

Open Banking ainda existe ou foi substituído pelo Open Finance?

No Brasil, o Open Banking não foi extinto: ele é a base sobre a qual o Open Finance foi construído. O Banco Central rebatizou a iniciativa em 2021 para refletir a expansão do escopo, mas as APIs, o modelo de consentimento e a infraestrutura regulatória do Open Banking continuam vigentes dentro do guarda-chuva do Open Finance.

Quais instituições são obrigadas a participar do Open Finance?

Bancos enquadrados nos segmentos S1 e S2 pelo Banco Central são obrigados a participar. Instituições dos segmentos S3 e S4, cooperativas, instituições de pagamento, corretoras, seguradoras e gestoras podem aderir voluntariamente, embora a tendência regulatória seja de ampliação progressiva da obrigatoriedade.

O Open Finance é seguro para o cliente?

Sim. Toda troca de dados exige consentimento ativo, com finalidade e prazo definidos, e ocorre por meio de APIs com padrão FAPI, autenticação mútua via mTLS e certificados ICP-Brasil. O cliente pode revogar o consentimento a qualquer momento e nenhum dado trafega sem autorização explícita, em conformidade com a LGPD.

Qual a relação entre Open Finance e Pix?

A partir da Fase 3 do Open Finance, Iniciadores de Transação de Pagamento (ITPs) podem disparar Pix em nome do cliente a partir de aplicativos de terceiros, sem que o usuário precise abrir o app do banco. Essa integração transformou o Pix em motor da iniciação de pagamentos no ecossistema.